Regresso à Terra by Nuno Hipólito

By Nuno Hipólito

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The following, then is the fruit of Elena Kuz'mina's life-long quest for the Indo-Iranians. Already its predecessor ("Otkuda prishli indoarii", released in 1994) used to be thought of the main finished research of the origins of the Indo-Iranians ever released, yet during this new, considerably extended variation (edited by means of J.

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32 Este “medo” nasce do abandono a que o homem é deixado depois da simbólica “morte de Deus”. 31 À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Vemos com Campos inicia lentamente o poema, como se ainda a medo. Esta introdução brevíssima é de um engenheiro assustado, mas simultaneamente pronto a transformar-se. A “beleza” que ele descreve é “totalmente desconhecida dos antigos”, ou seja, representa uma quebra total para com o passado, para com os românticos, para com os classicistas.

Jerónimo Pizarro, Tomo I, pág. 392. INCM, 2006. 33 que não é identidade nenhuma34. Campos deve apenas sentir, percepcionar, “em febre”, com a cabeça “a arder” em excesso de sensações, misturando a carne com o espírito. O ser engenheiro não lhe serve de muito, ou talvez lhe sirva de pequena arma para não entrar de punhos vazios neste novo mundo (há que levar em conta também a oposição do discípulo Engenheiro com o Mestre pastor). É-lhe imensamente mais precioso o conhecimento que teve com o seu mestre Caeiro, que lhe ensinou a não querer nada da vida, a apenas aceitar a vida como ela é, a realidade plena, sem significados.

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto, Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento A todos os perfumes de óleos e calores e carvões Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável! Fraternidade com todas as dinâmicas! Promíscua fúria de ser parte-agente Do rodar férreo e cosmopolita Dos comboios estrênuos. Da faina transportadora-de-carga dos navios. Do giro lúbrico e lento dos guindastes, Do tumulto disciplinado das fábricas, E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!

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